
Se você trocou de agência de SEO e o tráfego caiu, o primeiro passo é confirmar se a queda é real e descobrir em que dia ela começou. Com a data em mãos, cruze o que mudou no site durante a transição com fatores externos, como atualizações do Google e sazonalidade. Na maior parte das trocas que acompanhei, a causa estava em alguma mudança feita durante a transição, e esse tipo de causa costuma ter correção.
O momento é delicado. A empresa acabou de tomar uma decisão de fornecedor, a diretoria vê o gráfico caindo e a tentação é procurar um culpado antes de procurar a causa. Cada agência tende a apontar para a outra, e o time interno fica no meio sem dados para arbitrar.
Este guia complementa o artigo sobre queda de tráfego orgânico, que trata do diagnóstico geral. Aqui o foco é o cenário específico da troca de fornecedor: como separar as causas, o que fazer nas primeiras 72 horas e nas primeiras 4 semanas, o que pedir a cada agência e como conduzir a conversa sem caça às bruxas.
Parece óbvio, mas em trocas de fornecedor eu já vi mais de uma vez o tráfego "cair" só no relatório. Quando muda a agência, costuma mudar também quem mexe no Google Tag Manager, no GA4 e no site. Uma tag removida por engano, um código duplicado, um consentimento de cookies reconfigurado ou um filtro novo no GA4 derrubam os números sem que nenhuma visita a menos tenha acontecido.
O teste mais rápido é comparar duas fontes independentes. O Search Console mede cliques a partir do próprio Google, sem depender da tag do site. Se os cliques no Search Console estão estáveis e as sessões orgânicas no GA4 despencaram na mesma data, o problema é de medição. Se os dois caíram juntos, a queda é real e vale seguir para as causas abaixo.
Para conferir a tag, o modo de visualização e depuração do Tag Manager se conecta ao Tag Assistant e mostra quais tags dispararam e em que ordem. O artigo sobre como usar o Search Console para SEO mostra onde encontrar e filtrar os cliques por página e por consulta.
O Google mantém um guia oficial para depurar quedas de tráfego na Busca, que lista como causas principais as atualizações de algoritmo, problemas técnicos, questões de segurança, violações de spam, sazonalidade e migrações de site. Em uma troca de agência, eu organizo a investigação nesta ordem, da causa mais fácil de descartar para a mais trabalhosa.
Muita troca de fornecedor acontece em janeiro ou depois do fechamento do ano fiscal, justamente quando a demanda de vários mercados B2B oscila. Compare o período atual com o mesmo período do ano anterior, e não só com o mês passado. O mesmo guia do Google lembra que o Search Console guarda 16 meses de dados, o que permite essa comparação.
O Google Trends ajuda a ver se o interesse pelos temas do seu mercado caiu como um todo. Se a busca pela categoria caiu na mesma proporção, a troca de agência provavelmente não tem relação com a queda.
O Google Search Status Dashboard registra as atualizações de ranqueamento com data de início e de fim. Em 2026, o histórico mostra, entre outras, a atualização principal de março (de 27 de março a 8 de abril), a atualização principal de maio (de 21 de maio a 2 de junho) e atualizações de spam em junho e em agosto. Na data em que escrevo, 28 de setembro de 2026, o painel mostra a atualização de spam de setembro, iniciada em 24 de setembro, sem data de término registrada.
Se a queda começou dentro da janela de uma atualização, a troca de agência pode ser coincidência. Isso não isenta ninguém de olhar a qualidade do conteúdo, mas muda o tipo de resposta: correção técnica não resolve efeito de atualização principal.
Aqui mora a maioria dos problemas que encontro. Agência nova costuma querer "arrumar a casa" nas primeiras semanas, e algumas mudanças têm efeito grande no rastreamento e na indexação:
O relatório de indexação de páginas do Search Console mostra quais páginas deixaram de ser indexadas e por quê, incluindo bloqueio por robots.txt, noindex, redirecionamento e erro 404. Um salto em qualquer um desses motivos perto da data da troca é pista forte.
Se a troca de agência veio junto com mudança de site ou de estrutura de URLs, os redirects são o primeiro suspeito. A documentação do Google sobre migrações de site recomenda redirecionar cada URL antiga diretamente para a nova, sem cadeias, e manter os redirects por pelo menos 1 ano. O artigo sobre como refazer o site sem perder tráfego tem o passo a passo do mapeamento.
Às vezes a agência nova considera posts antigos "fracos" e os remove, ou reescreve páginas para um novo posicionamento. Se essas páginas traziam tráfego, a queda é esperada. Compare as páginas com mais cliques no Search Console antes e depois da troca e verifique quais sumiram ou mudaram de conteúdo.
Já tratei da checagem no início, mas vale reforçar: se só o GA4 caiu, o problema está na medição. Confira também se o GA4 ainda está ligado ao Search Console e se ninguém criou filtro de tráfego interno amplo demais.
Algumas agências mantêm links em sites próprios ou em redes de blogs, e esses links podem sair do ar quando o contrato termina. O relatório de links do Search Console mostra os principais sites que apontam para o seu, mas o Google avisa que é uma amostra e que inclui links que podem já ter sido removidos. Para comparar antes e depois, uma ferramenta de backlinks com histórico ajuda mais.
Se a perda veio de links comprados ou de redes artificiais, a queda revela um risco que já existia. O artigo sobre link building sem risco explica como separar link legítimo de link que viola as políticas do Google.
Agência nova costuma chegar com calendário de conteúdo próprio. Se ela publica páginas sobre os mesmos temas das páginas que já ranqueavam, o Google pode alternar entre as duas URLs e nenhuma se firma. Consulte no Search Console as consultas principais e veja se mais de uma página do site aparece para elas. O artigo sobre canibalização de palavras-chave mostra como resolver.
| Sintoma | Onde olhar | Causa provável |
|---|---|---|
| GA4 caiu, Search Console estável | Tag Assistant, configurações do GA4 | Tag ou filtro quebrado |
| Queda em todo o site na mesma data | Status Dashboard e relatório de indexação | Atualização do Google ou bloqueio técnico |
| Queda concentrada em algumas páginas | Search Console por página, histórico de alterações | Conteúdo removido ou canonical errado |
| Aumento de páginas "não indexadas" | Relatório de indexação de páginas | noindex, 404 ou redirect mal configurado |
| Queda gradual ao longo de semanas | Relatório de links, ferramenta de backlinks | Perda de links ou concorrência |
| Duas URLs alternando para a mesma consulta | Search Console por consulta | Canibalização |
| Queda igual à do ano anterior no mesmo período | Comparação anual, Google Trends | Sazonalidade |
Nas primeiras 72 horas o objetivo é conter dano e preservar evidência. Nada de grandes mudanças no site até entender a causa.
Sobre acessos, há um detalhe que pouca gente conhece. A ajuda do Search Console sobre proprietários e permissões explica que, quando você remove um proprietário, os tokens de verificação dele não são apagados, e ele pode verificar a propriedade de novo se o token continuar no site. Remova também os tokens da agência antiga depois de garantir que a empresa tem um proprietário verificado próprio.
O ideal é que isso esteja no contrato, mas mesmo quando não está, a maioria das agências colabora se o pedido for objetivo e sem tom de acusação.
Se a troca ainda está em negociação, o artigo com as perguntas para fazer antes de contratar uma agência de SEO ajuda a incluir esses pontos na proposta.
A busca por culpado atrasa a correção. Enquanto as agências se defendem, ninguém mexe no que precisa ser mexido. Estes são os cuidados que eu tomo ao conduzir essa conversa:
Nem toda queda é problema. Se a troca veio com migração de site ou mudança de URLs, o Google avisa na documentação de migrações que é normal a visibilidade flutuar temporariamente, e que em sites de porte médio pode levar algumas semanas ou mais para as novas URLs aparecerem no lugar das antigas.
Mudanças de conteúdo também costumam gerar oscilação enquanto o Google rastreia e reavalia as páginas. O que eu considero sinal de alerta é uma queda brusca em data específica que continua depois de algumas semanas sem estabilizar, principalmente se vier junto com aumento de páginas não indexadas. Nesses casos, vale uma análise de SEO técnico mais profunda.
Confirme se a queda aparece também no Search Console, e não só no GA4. Depois anote a data de início e cruze com as mudanças feitas no site. Em seguida, descarte as causas externas consultando o Google Search Status Dashboard e comparando com o mesmo período do ano anterior. Só então comece a corrigir.
Pode, principalmente se fez mudanças técnicas amplas logo no início, como robots.txt, canonical, estrutura de URLs ou remoção de conteúdo. Mas a queda também pode vir de atualização do Google, de sazonalidade, de links que saíram do ar com a agência antiga ou de um simples erro de medição. O registro de mudanças com data é o que permite separar uma coisa da outra.
Não existe prazo fixo. Correções de bloqueio e de noindex costumam ter efeito assim que o Google rastreia as páginas de novo. Em migrações, a documentação do Google fala em algumas semanas ou mais para sites de porte médio. Efeitos de atualização principal dependem de melhorias de conteúdo e podem levar mais tempo.
Depende do contrato. Por isso eu recomendo que o contrato preveja a entrega de acessos, histórico de mudanças, lista de URLs e relatórios no encerramento. Sem cláusula, vale pedir de forma objetiva, e a maioria das agências colabora quando o pedido não vem como acusação.
Depende de que links eram. Links conquistados em veículos e sites relevantes costumam continuar no ar. Se sumiram links de sites da própria agência ou de redes de blogs, a perda expõe uma dependência que já era risco. Registre o que saiu e priorize conquistar links legítimos.
Compare a data de início da queda com as datas do Google Search Status Dashboard. Se a queda começou durante uma atualização e atingiu o site de forma ampla, sem mudança técnica que explique, a atualização é a hipótese mais forte. O caminho, nesse caso, é revisar a qualidade e a utilidade do conteúdo.
Se o tráfego caiu depois da troca de agência e as duas partes têm versões diferentes, uma análise independente ajuda a trocar opinião por evidência. O ponto de partida é a linha do tempo da queda cruzada com as mudanças no site e com o histórico do Google.
A PIPA faz essa análise inicial sem custo, olhando indexação, redirects, medição e histórico de mudanças, e aponta o que corrigir primeiro. Quero meu diagnóstico gratuito