
Uma equipe de GEO interna precisa cobrir quatro frentes: conteúdo que as IAs têm motivo para citar, acesso técnico dos robôs de busca, menções da marca em fontes externas e medição da presença nas respostas. Na maioria das empresas de tecnologia, eu não começaria contratando um time novo. O caminho mais comum é dar um dono ao GEO, redistribuir tarefas entre quem já cuida de SEO e de conteúdo, e contratar só as habilidades que faltam.
A decisão de internalizar costuma aparecer quando a diretoria pergunta por que o concorrente aparece no ChatGPT e a empresa não. A reação imediata é abrir uma vaga de "especialista em GEO", e aí começam os problemas. A função ainda não tem descrição de mercado estável, e o trabalho depende de áreas (produto, desenvolvimento, comunicação, vendas) que não respondem a quem foi contratado.
Neste guia eu explico as funções de uma equipe de GEO, o que dá para acumular com o time atual, a rotina semanal e mensal, as ferramentas, as habilidades para contratar, os erros que mais vejo e quando faz sentido terceirizar parte ou todo o trabalho.
Antes de desenhar cargos, vale entender o trabalho. As IAs que buscam na web para responder dependem de páginas que possam ser encontradas e consideradas confiáveis. O guia do Google para recursos de IA generativa na Busca diz que os fundamentos de SEO continuam valendo e recomenda conteúdo original, com visão de especialista. A central de ajuda da OpenAI para publishers orienta a não bloquear o OAI-SearchBot para o conteúdo aparecer nas respostas do ChatGPT.
Isso quer dizer que boa parte do GEO usa músculos que a empresa já tem ou deveria ter em SEO. O que muda é o ponto de partida, que passa a ser as perguntas que o comprador faz às IAs, e o peso maior das fontes externas na forma como a marca é descrita. Se os conceitos ainda estão misturados no time, o artigo sobre diferenças entre SEO, GEO e AEO ajuda a alinhar a conversa.
Eu desenho a equipe por funções antes de pensar em pessoas. Em uma empresa pequena, uma pessoa acumula duas ou mais funções. Em uma empresa maior, cada função pode ter gente dedicada. O que não pode acontecer é uma função ficar sem responsável.
É quem define o conjunto de perguntas monitoradas e responde pelo resultado, priorizando o backlog das outras funções. Normalmente é a pessoa de SEO mais sênior ou alguém de marketing de produto com boa base de busca. Sem essa função, as outras viram tarefas soltas em áreas diferentes, e ninguém consegue explicar o painel para a diretoria.
Cuida das páginas que respondem às perguntas do comprador: comparações, casos de uso, integrações, documentação pública, páginas de categoria e de preço. Em empresas de tecnologia, o redator sozinho raramente dá conta. Ele precisa de acesso fácil a um especialista (produto, engenharia de soluções, pré-vendas ou suporte) que traga a profundidade técnica e os dados próprios que diferenciam o texto.
Garante que os robôs de busca das IAs e do Google conseguem acessar o site. Isso envolve robots.txt, regras de firewall e CDN, renderização de páginas em JavaScript, dados estruturados, sitemaps e velocidade. Na prática, é a mesma função de SEO técnico, com atenção extra aos robôs de busca das IAs e à diferença entre robôs de busca e de treinamento.
Trabalha a presença da marca nas fontes que as IAs usam para descrever a empresa: veículos do setor, diretórios de software, marketplaces de nuvem, associações, comunidades técnicas, sites de avaliação e perfis oficiais. Também corrige informação desatualizada nessas fontes. É a função que mais falta nos times de SEO tradicionais, e a que mais se aproxima do trabalho de autoridade de marca B2B.
Roda o monitoramento de prompts, consolida os relatórios oficiais, cuida da origem dos leads no GA4 e no CRM e monta o painel mensal. As métricas que essa função acompanha estão detalhadas no artigo sobre métricas de GEO.
A tabela abaixo é o mapa que eu uso para decidir o que redistribuir e o que contratar. A coluna "risco de acumular" mostra onde a sobrecarga costuma quebrar o trabalho.
| Função de GEO | Quem já costuma existir | O que muda na rotina | Risco de acumular |
|---|---|---|---|
| Dono do GEO | Analista ou coordenador de SEO | Passa a priorizar por perguntas feitas às IAs, além de palavras-chave | Baixo, se houver tempo reservado na agenda |
| Conteúdo | Redator ou analista de conteúdo | Mais páginas de comparação e de caso de uso, com dado próprio e revisão técnica | Médio, porque depende de acesso a especialistas |
| Técnico | SEO técnico ou desenvolvedor do site | Revisão do acesso dos robôs de IA em todas as camadas do site | Baixo, é extensão natural do trabalho |
| PR e menções externas | Comunicação, assessoria de imprensa ou ninguém | Presença em diretórios, veículos, comunidades e sites de avaliação, priorizada pelas fontes que as IAs citam | Alto, porque raramente existe alguém com essa função |
| Dados e medição | Analista de marketing ou de dados | Monitoramento de prompts e ligação com o CRM | Médio, porque a coleta manual consome tempo |
Na maioria dos casos que acompanho, o técnico e o dono do GEO se resolvem dentro do time de SEO. O gargalo aparece em PR e menções externas, que exige relacionamento e rotina de prospecção, e em conteúdo, quando o especialista de produto não tem tempo reservado para revisar e contribuir.
Uma rotina fixa evita que o GEO vire projeto de uma vez só. Esta é a cadência que eu recomendo para começar, ajustável ao tamanho do time.
A cada trimestre eu revisaria o conjunto de prompts e a lista de concorrentes monitorados, sempre com registro do que mudou. É também o momento de avaliar se alguma parte do trabalho deveria sair ou entrar na equipe interna.
O time não precisa começar com uma pilha grande de ferramentas. Boa parte do que importa é gratuito e oficial.
Para montar o primeiro conjunto de perguntas, o guia de prompts para monitorar marca na IA tem modelos organizados por etapa da compra.
Como o cargo "especialista em GEO" ainda não tem definição estável, eu recomendo contratar por habilidade e testar na entrevista com tarefa prática. Estas são as que eu procuraria em cada função.
Sobre remuneração: não vou citar faixa salarial aqui. Não encontrei fonte pública verificável e atualizada para uma função que o mercado ainda está nomeando, e prefiro deixar essa conta para a pesquisa salarial que a sua empresa já usa em cargos de SEO e de marketing.
Um recurso útil para a entrevista é a página do Google Do you need an SEO?, que lista perguntas para avaliar profissionais de busca e alerta que ninguém pode garantir primeira posição no Google. O mesmo cuidado vale para quem promete presença garantida em IA.
Internalizar faz sentido quando o GEO vai ser uma frente contínua e a empresa já tem base de SEO e conteúdo. Terceirizar faz sentido quando falta uma habilidade específica que não justifica contratação, ou quando é preciso acelerar o começo enquanto o time interno aprende.
Os modelos híbridos que mais vejo funcionar em empresas de tecnologia são dois. No primeiro, o time interno fica com conteúdo e medição, e um parceiro cuida de SEO técnico e PR. No segundo, um parceiro estrutura método e painel nos primeiros ciclos e depois passa a operação para o time interno, ficando em papel de consultoria.
O artigo sobre agência, freelancer ou time interno compara custos e riscos de cada modelo. Se a opção for contratar fora, o guia sobre como escolher uma agência de GEO traz as perguntas para a proposta e as cláusulas para o contrato.
Eu começo nomeando um dono, normalmente alguém de SEO, e distribuindo as funções de conteúdo, técnico, PR e medição entre quem já existe. Depois de alguns ciclos com medição rodando, fica claro qual habilidade falta e se ela pede contratação ou parceiro externo.
Nem sempre. Se o time de SEO já é forte, o GEO pode ser uma extensão do trabalho dele, com reforço em PR e medição. A contratação faz mais sentido quando falta alguém para ser dono da frente ou quando uma habilidade específica, como relações com veículos, não existe na empresa.
Pode assumir a parte técnica e boa parte do conteúdo. A parte de menções externas costuma exigir outra habilidade, e a medição exige tempo que o time de SEO nem sempre tem. Por isso eu recomendo mapear as funções antes de simplesmente somar tarefas ao time atual.
Search Console, Bing Webmaster Tools, GA4 e CRM cobrem a base, e os dois primeiros já têm relatórios oficiais de presença em IA. Uma ferramenta de monitoramento de prompts entra quando o volume de perguntas e plataformas torna a coleta manual inviável.
As plataformas não publicam prazo para uma marca passar a aparecer nas respostas. Correções técnicas tendem a ter efeito antes, enquanto conteúdo novo e menções externas precisam ser rastreados e indexados. O mais realista é acompanhar a tendência do painel em janelas trimestrais.
A equipe de conteúdo produz textos. A de GEO decide quais perguntas a marca precisa responder, garante que os robôs acessam o site, trabalha fontes externas e mede a presença nas respostas das IAs. Conteúdo é uma das funções dentro dela.
Antes de abrir vaga ou redistribuir tarefas, vale saber onde a marca está hoje nas respostas de IA e qual frente trava mais o resultado. Esse retrato mostra se o gargalo é técnico, de conteúdo, de fontes externas ou de medição, e ajuda a decidir o que fica dentro de casa.
A PIPA faz essa análise inicial sem custo e aponta o que atacar primeiro, inclusive o que o seu time pode assumir sozinho. Quero meu diagnóstico gratuito